Capítulo 2 : Estranhos acontecimentos

Dentro de mais ou menos um mês, eu e Alec estávamos muito amigos, melhores amigos. Eu gostava da companhia dele, ele gostava da minha, estávamos felizes. 

Alec e eu nos gostávamos muito, e esse amor foi aumentando com o passar do tempo. Num certo dia, véspera de provas, Alec foi estudar comigo na minha casa – eu não sabia o motivo, mas era sempre na minha casa -, e me surpreendeu:

- Jane, eu queria te dizer, assim, sinceramente, abrindo meu coração, de verdade…

Eu o interrompi:

- Fala logo, garoto, eu estou ficando nervosa. E olha, não abre o coração não! Vai sujar meu quarto de sangue e minha mãe vai me matar. “Eu tenho sempre uma piada sem graça nenhuma na ponta da língua e não consigo segurar” – pensei.

Ele riu fraco, mas riu:

- Ai, é que… – ele gaguejou

Percebi que mesmo nervoso ele era o único que ria das minhas piadas sem graça. Notei que ele não tinha tempo para rir, muito menos para dizer que elas eram ruins demais.

- Jane, você sabe que eu te amo muito, não sabe?!

- Claro, eu sou linda, todos me amam. – nós dois rimos e paramos por um segundo – Mas o que é que você quer falar, o que isso tem a ver?

- Ah, tá! – ele riu sarcasticamente – Jane, você… Você…

- Fala! – eu pulei enquanto sacudia as mãos, nervosa.

- Janet Marie Rathbone, você me concederia a honra de te namorar, e fazê-la feliz, muito feliz?

Eu me assustei – apesar de ser tudo que eu poderia querer ouvir de Alec.

- Esse “discurso” foi muito clichê! Mas… Eu aceito!

Pulei no pescoço dele para abraçá-lo. Era tudo um sonho para mim. A pessoa mais doce e sensível que eu já conheci, a pessoa com quem eu tinha a maior intimidade era meu namorado agora. Mas eu me intriguei: “Como foi possível nos apaixonarmos tão rapidamente? Dois meses? É tempo suficiente para nos apaixonarmos por alguém, e esse alguém sentir o mesmo por você, isso é normal? Parece mágica, coisa fictícia!” Todos os tipos de perguntas e pensamentos vieram à solta na minha mente. Como se não fosse possível eu somente deixar rolar o momento do nosso primeiro beijo, e esquecer os questionamentos, pelo menos agora.

Ele me soltou, quase desistindo de me deixar, por mais que ele lutasse, ele queria ficar, mas tinha que ir embora, já estava tarde.

- Tchau, Jane! Até amanhã.

- Adeus, Alec.

Mas ele não foi para a porta. Fiquei intrigada ao vê-lo caminhando até a janela:

- Onde você está indo?

- Embora, ora bolas. – ele fez uma cara como se quisesse dizer: “Para onde mais eu iria se eu te disse tchau, estúpida”.

- Mas a porta é para a direção contrária.

- E quem te disse que eu vou pela porta. – e ele de repente pulou pela janela.

Eu gritei, e fui olhar.

Ele já estava no chão acenando pra mim, como se fosse normal ver alguém indo embora pela janela do segundo andar de uma casa e não ter um ferimento se quer.

Eu não consegui dormir bem a noite toda, só tentava entender como aquilo era possível, ele simplesmente “cair” pela janela, tão rápido, e sem nenhum arranhão. Mais pensamentos loucos me vinham à cabeça: “Ele é sobrenatural. Isso não existe! Eu estou ficando completamente louca!”.

Os pensamentos estúpidos não paravam. Eu decidi afrontá-lo na aula, perguntar como aquilo era possível, perguntar que tipo de atleta ele era, ou melhor, que tipo de monstro ele era.

Eu estava com medo das respostas possíveis às minhas perguntas. Mas era necessário perguntar, ou pelo menos tentar.

A noite toda eu ensaiava como, ou o que perguntar. Era difícil pensar com todos os acontecimentos daquela noite. Tentei, mais uma vez, dormir, e novamente sem nenhum sucesso. Liguei a televisão. Nada de intrigante passava. Coloquei em um canal de desenhos infantis e acabei pegando no sono, ainda bem, no outro dia eu teria outras coisas com o que me preocupar.

1 year ago on 21 July 2011 @ 11:17am 1 note
  1. oenigmadosolhos posted this