Capítulo 5 : Teorias

Era uma manhã fria. Mas mesmo assim, o Sol tentava se abrir por entre as nuvens.  Um dia razoável.  Mas eu não tinha tempo para pensar em como o tempo estava. Meu namorado era um ser sobrenatural e eu precisava ter certeza de que isso estava acontecendo de verdade.

Eu estava com medo. Com medo de perdê-lo, com medo de que ele sumisse para sempre da minha vida.

Eu me arrumei e estava prestes a sair porta afora, quando Alec chega a minha casa:
- Vamos senhorita! Não quer se atrasar quer?
- Que susto! Se quiser me matar não faça cerimônias.

Ele sorriu, segurou na minha mão e fomos caminhando até o carro, aonde ele com um gesto gentil abriu a porta para mim.

Quando vi que ele não ia em direção a escola, me atrevi  e perguntei:
- Aonde vamos?

- Para o penhasco.

- Você quer dizer a floresta do penhasco?

- Sim.

- Tudo bem. Senhor cabulador de aulas! – Eu tentei abafar a tensão que invadia seu rosto, mas não consegui ao menos tirar dele um sorriso falso.

Chegamos e fomos para o mesmo lugar de sempre: O penhasco. Eu fiquei apavorada, aquele lugar não me trazia felicidade alguma, o nervosismo e a tensão falavam mais alto.

Eu aproveitei o momento e fui direto ao que mais me interessava:
- Eu sei o que você é… Não tenho absoluta certeza do que seja, mas… Quero ouvir de você, a verdade.

- Eu sei que sabe. E quero ouvir as suas teorias.

- Como… Você sabia?- Isso me intrigava mais ainda. Afinal, ele lia mentes também?

- Quais são as suas teorias?

- Eu pensei em… Um meteoro, aranhas radioativas…

- Isso são coisas de heróis, o que eu talvez não seja.

- E pensei em… Vampiros! – O silêncio tomou conta de nós.

Ele me puxou para mais perto e tocou em meu coração:

- O que você está sentindo agora?

- Felicidade, muita felicidade.

- O que você estava sentindo antes de eu tocar seu coração?

- Dor, medo e nervosismo. O que você fez? Como você fez?

- Isso é o que eu sou, uma aberração, que sofre por não ser normal.

- Mas, você não é um vampiro?

- Meu pai era um vampiro e minha mãe era do “universo poderoso”, e eu sou o que chamam de mestiço. Isso é frustrante.

- Isso é mágico, isso não existe.

- Você precisa me dizer quais são os seus poderes?

- Que poderes?

Eu me assustei, e não imaginei que ele também fosse louco ou algo do tipo. Além de ser um vampiro mestiço ele tinha algum tipo de distúrbio? Isso afetou o cérebro dele?

- Os seus poderes. Eu senti a presença deles. Pode dizer, não precisa esconder mais.

- Você ficou louco? Eu não tenho poderes!  Se eu tivesse eu saberia não acha?

- Jane, talvez você não saiba. Talvez, seus pais o tenham escondido de você para que não se sentisse uma aberração. Algumas pessoas realmente não se lembram.

Eu fiquei intrigada e achei que o que ele estava dizendo, talvez fosse verdade. Eu me sentia diferente. Não conseguia me lembrar de nada sobre meu passado. E…

- Alec, eu me lembro que… Quando eu era pequena, eu deixei uma menina cega, apenas em fixar meu olhar sobre ela, eu… Ai! Minha cabeça está queimando. Eu não consigo me lembrar de mais nada agora. Isso sempre acontece comigo.

Ele deu um passo para trás e perguntou:
- Você consegue se concentrar em mim e me deixar cego?

- Eu não sei, não lembro como eu fazia.

- Só tente.

- Tudo bem, eu tento.

Eu me esforcei ao máximo, mas não consegui deixá-lo cego. Apenas o deixei com a vista embaçada por alguns segundos. Mas afinal, já era um avanço.

Eu só não entendia, porque meus pais não haviam me contado nada sobre aquilo. Só se eu tivesse sido… Adotada! Não, não era possível! Não podia ser. Meus pais teriam me contado, eles não esconderiam isso de mim, nunca.

Isso era mais uma das coisas que eu deveria investigar. Como se eu estivesse com cara de CSI agora, ou até mesmo Scooby-Doo. Mas eu teria que perguntar a minha mãe se minhas hipóteses estavam corretas. Diante disso tudo que eu havia passado, tudo que eu havia descoberto até agora, eu não teria medo de mais uma resposta complicada para tudo que eu perguntasse.

1 year ago on 6 August 2011 @ 3:25pm